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Vibe Coding: O Atalho para o Lucro Real. Não invente o futuro. **Automatize o presente.** Aprenda a usar IA para capturar fluxos financeiros que já existem há décadas.#65

Como parte do meu trabalho, toda semana eu leio muito conteúdo sobre dados, tecnologia e inteligência artificial (IA). Eu faço uma seleção e envio pra você os melhores, todo domingo. Vamos separar o joio do trigo.

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Olá amigos 👋 ,

Há um ruído persistente — e inescapável — entre quem fala sobre IA: a obrigação de inventar o inédito. Um produto que ninguém imaginou. Um mercado que não existia. Um futuro que começa amanhã de manhã.

O ruído é compreensível. A novidade sempre rendeu boa prosa, e a tecnologia pede liturgias. Mas convém desconfiar desse impulso. Não seria possível que, enquanto todos correm para inventar o que não existe, o lucro mais acessível esteja justamente no que já existe há décadas e ninguém quer tocar?

Vamos separar o Joio do Trigo?

O chique é ser simples

O cofre da economia não está guardado no futuro — está guardado em planilhas antigas. Em conciliação bancária. Em SPED fiscal. Em lotes CNAB. Em reconciliação de recebíveis com operadoras de cartão, em revisão de contratos, em KYC, em relatório regulatório que alguém lê porque é obrigado.

São fluxos que não seduzem. Ninguém sobe em palco para defender o quanto sua vida mudou por automatizar o fechamento contábil. Mas o fato — e este é desagradável — é que esses fluxos somam bilhões por ano só no Brasil. São caixas que movem, engrenagens que giram, taxas que pingam. E continuam sendo feitos, em larga medida, à mão. Por pessoas. Em jornadas repetitivas que, até muito pouco tempo atrás, eram insubstituíveis porque o custo do código era alto.

Esse é o ponto que o entusiasmo costuma pular.

Há um precedente que ajuda a ver o tamanho do equívoco. Quando Alfred Marshall descreveu a criação de valor, ele não privilegiou a invenção do novo sobre a adaptação do existente — privilegiou o encaixe. Para Marshall, a economia era biologia: o que prospera é o que se ajusta a um ambiente já dado. Schumpeter, décadas depois, puxou o holofote para a destruição criadora — e fez bem. Mas mesmo quem celebra a ruptura reconhece, quando olha as contas, que o grosso do lucro capitalista não nasce do salto e sim da rotina: da rotinização eficiente do que já existe. Os ganhos duradouros, na maior parte dos casos, vêm de alguém que reorganiza o já-dado a um custo mais baixo.

A IA generativa fez com esse custo o que o motor a vapor fez com o transporte e a eletricidade fez com a iluminação: derrubou uma fronteira silenciosa. Onde antes era preciso uma equipe, um sprint e um CEO entusiasmado para justificar um orçamento de engenharia a que poucos tinham acesso, hoje basta alguém que sabe descrever o problema com clareza e rodar uma iteração de madrugada. É isso que o termo vibe coding tenta — de modo ainda meio desengonçado — nomear: não é programar no sentido tradicional, é orientar, curar, iterar. A máquina entrega o rascunho, você julga. E pelo mesmo atalho, empresas pequenas alcançam um arsenal que, até pouco tempo atrás, era privilégio de quem podia montar time de engenharia.

O que isso abre? A possibilidade de um negócio que antes era economicamente inviável: atacar um fluxo financeiro maduro, de margem baixa, volume alto e cliente fixo, com custo de implementação marginal. O antigo argumento — "não dá, o desenvolvimento não paga" — perdeu força.

Há, contudo, um contrapeso que ninguém deveria pular.

Fluxos antigos são antigos por razões que não são meramente inerciais. Eles envolvem regulação, integração, obrigações acessórias, exceções que nenhum prompt deslinda sozinho. A automação do presente não é a automação do demo — sistemas legados sabem trocar de campo obrigatório no meio do ano fiscal, assim como o tripanossomo africano troca de proteína para driblar o sistema imunológico. Quem ignora essa espessura operacional troca um erro — a alucinação do futuro — por outro: a alucinação do presente fácil. Não é fácil. Só está mais barato.

Mas está mais barato — e isso basta.

A questão prática, então, deixa de ser "qual o próximo produto disruptivo?" e passa a ser outra, mais prosaica e mais produtiva: qual fluxo financeiro existe há trinta anos, movimenta dinheiro recorrente e ainda é feito por gente apertando F5? A resposta costuma estar a duas portas do seu escritório. Conciliação, compliance, tesouraria, fiscal, jurídico operacional, contas a pagar, contas a receber, cobrança. Não são temas que viram keynote — mas são temas que viram contrato.

O atalho para o lucro real quase nunca passa por inventar um novo Everest. Passa por automatizar um vale que todo mundo atravessa há décadas e que agora, pela primeira vez, pode ser cruzado de ônibus em vez de a pé.

A era da IA está apenas começando!

Abs, Jhon

até Domingo…

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